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Biblia Hebraica Stuttgartensia

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 Nota: Este artigo é sobre a 4ª edição (BHS). Para as edições de Rudolf Kittel (BHK), veja Biblia Hebraica de Kittel. Para a nova edição (5ª edição ou BHQ), veja Biblia Hebraica Quinta. Para Para outras versões e significados, veja Bíblia hebraica.

A Biblia Hebraica Stuttgartensia (BHS),[1][nota 1] é uma edição crítica do Texto Massorético da Bíblia Hebraica totalmente baseada no Códice de Leningrado (L), publicada pela Sociedade Bíblica Alemã (Deutsche Bibelgesellschaft), em Stuttgart, de onde deriva seu nome (Stuttgartensia). A BHS corresponde à 4ª edição acadêmica da Biblia Hebraica, sendo as 3 primeiras edições feitas por Adolfo itelar.[1][2]

É amplamente vista, tanto pelo judaísmo como pelo cristianismo, como uma edição confiável das Escrituras em hebraico e aramaico (Tanakh na terminologia judia ou Antigo Testamento na terminologia cristã), e tem sido há muito tempo, a mais usada por eruditos do texto na língua hebraica, tanto para pesquisas como para texto-base de traduções em outros idiomas. Também tornou-se a edição mais usada em faculdades de teologia e seminários cristãos.[carece de fontes?]

História da edição

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A BHS é fruto de uma ampla revisão da 3ª edição da Biblia Hebraica de Kittel, sendo, como esta, baseada no Códice de Leningrado (L).[1] As notas de rodapé das páginas foram totalmente revisadas, por isso os editores resolveram diferencia-la das edições de Kittel, usando agora o nome Stuttgartensia em referência à cidade de Stuttgart, na Alemanha.[1]

Originalmente estas notas foram acrescentadas e publicadas aos poucos desde 1968 a 1976, e publicada em volume único em 1977.[3][2] Desde então, a BHS tem sido reimpressa muitas vezes além de ter passado por algumas edições menores para correção de alguns erros, estando atualmente na 5ª edição corrigida.[1][2]

A BHS será sucedida pela Biblia Hebraica Quinta ou BHQ (5ª edição da HB) que está sendo editada e publicada em fascículos desde 2004, cuja previsão de conclusão que era em 2010 passou para 2020.[2][4][5][6] Esses fascículos estão disponíveis para venda no site da Amazon.

Colaboradores

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Colaboraram em algum grau com essa edição, os seguintes nomes: Gérard E. Weil (editor da massorá), Joseph Ziegler (consultor da LXX), Hans P. Rüger (consultor do Targum), Manfried Dietrich, Sieghart Kappus, Werner Fuss, Sra. Ursel G. Mantel-Richter, O. Eißfeldt, J. Fichtner, G. Gerleman, J. Hempel, F. Horst, W. Baumgartner, A. Jepsen, F. Maass, R. Meyer, P. A. H. de Boer, D. Winton Thomas, K. Helliger, H. Bardtke, G. Gerlemann, G. Quell, Th. H. Robinson, D. W. Thomas, Diether Kellermann, Karl Elliger (editor geral) e Wilhelm Rudolph (editor geral).[1][2]

Características

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O texto usado na BHS, assim como na BHK (3ª edição), é uma cópia exata do Texto Massorético conforme o Códice de Leningrado (L) ou B19a, até mesmo em seus erros que só são corrigidos em notas do aparato crítico.[1][2]

A única pequena diferença em relação ao Códice L, está no Livro das Crônicas, que foi movido para para o final.[2] Assim como também ocorre com outras Bíblias hebraicas, o Livro de Jó, precede ao Livro dos Provérbios.

Em suas margens, aparecem todas as notas da Masora Parva (massorá menor), que era uma antiga promessa de Kittel.[2] Estas foram preparadas por Gérard E. Weil e são totalmente baseadas no Códice L. Contudo, elas foram editadas a fim de se tornarem mais fáceis de se entender. Mesmo assim, alguns livros tem sido escritos explicando o uso dessas notas.[nota 2] Quanto à Masora Magna (massorá maior), foram publicadas em um volume à parte.[1][2]

Aparato crítico

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O aparato crítico da BHK (3ª edição) foi completamente refeito para a BHS, pois houve uma mudança na equipe de colaboradores, além do acumulo de evidências textuais desde a última edição de Kittel.[1][2] As notas ao pé da página registram possíveis correções ao texto. Muitas destas notas, estão baseadas no Pentateuco samaritano, nos Pergaminhos do Mar Morto, e em antigas traduções bíblicas tais como a Septuaginta, a Vulgata e a Peshitta.

Notas

  1. Titulo normalmente escrito em latim, por isso, deve ser escrito sem acento sempre que se refere ao nome de uma das suas edições: Biblia Hebraica de Kittel (ou somente Biblia Hebraica), Biblia Hebraica Stuttgartensia ou Biblia Hebraica Quinta.
  2. A obra de referência no Brasil para o estudo da BHS e da futura BHQ, é o "Manual da Bíblia Hebraica", de E.F. Francisco, em sua 3ª edição. Veja bibliografia abaixo.

Referências

  1. a b c d e f g h i Prefácio da Biblia Hebraica Stuttgartensia, in: ELLIGER, Karl; RUDOLPH, Wilhelm (editores). Biblia Hebraica Stuttgartensia. 5ª edição. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1997, 1680 p. (edição com introdução em português)
  2. a b c d e f g h i j FRANCISCO, Edson de Faria. Manual da Bíblia Hebraica: Introdução ao Texto Massorético - Guia Introdutório para a Biblia Hebraica Stuttgartensia. 3ª edição revisada e ampliada. São Paulo: Vida Nova, 2008. 760 p. Esta obra é complementada pelo site do autor em: <www.bibliahebraica.com.br>.
  3. TEIXEIRA, Paulo R.; SCHOLZ, Vilson; ZIMMER, Rudi; et al. Manual do Seminário de Ciências Bíblicas. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013.
  4. [1]
  5. Bibelgesellschaft, Deutsche. «Homepage - Die-Bibel.de» 
  6. «Deutsche Bibelgesellschaft» 

Publicações da BHS:

  • ELLIGER, Karl; RUDOLPH, Wilhelm; NESTLE-ALAND (editores). Biblia Sagra: Utriusque Testamenti Editio Hebraica et Graeca. Stuttgart: Deutsche Biblegesslschaft.
  • ____. Biblia Hebraica Stuttgartensia. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1997, 1680 p. (edição com introdução em português)
  • FRANCISCO, Edson de Faria. Antigo Testamento Interlinear Hebraico-Português. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012-2020. Obra em 4 volumes. (O texto base é a Biblia Hebraica Stuttgartensia)
  • VANCE, Donald A.; ATHAS, George; AVRAHAMI, Yael. Biblia Hebraica Stuttgartensia: A Reader's Edition - Hebrew and English Edition. Hendrickson Publishers, Inc., 2015, 1800 p.

Obras sobre a Bíblia Hebraica:

  • FISCHER, Alexander A. O Texto do Antigo Testamento – Edição Reformulada da Introdução à Bíblia Hebraica de Ernst Würthwein. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013.
  • FRANCISCO, Edson de Faria. Manual da Bíblia Hebraica: Introdução ao Texto Massorético - Guia Introdutório para a Bíblia Hebreica Stuttgartensia. 3ª edição revisada e ampliada. São Paulo: Vida Nova, 2008. 760 p. Esta obra complementada pelo site do autor: <www.bibliahebraica.com.br>.
  • ____. Tetragrama, Teônimos e Nomina Sacra: Os Nomes de Deus na Bíblia. Santo André: Kapenke, 2018, 240 p.. ISBN 978-85-93894-12-1.
  • GORDIS, Robert. The Biblical Text in the Making: A Study of the Kethib-Qere. New York: Ktav, 1971.
  • GOTTWALD, Norman K. Introdução Socioliterária à Bíblia Hebraica. 2ª edição. Coleção Bíblia e Sociologia 5. São Paulo: Paulus, 1988.
  • KELLEY, Page H.; MYNATT, Daniel S.; CRAWFORD, Timothy G. The Masorah of Biblia Hebraica Stuttgartensia: Introduction and Annotated Glossary. Grand Rapids-Cambridge: Eerdmans, 1998.
  • LANGE, Armin (editor). Textual History of the Bible. Leiden-Boston: Brill, 2016.      
  • LEIMAN, Sid Z. (ed.). The Canon and Masorah of the Hebrew Bible: An Introductory Reader. New York: Ktav, 1974.
  • MYNATT, Daniel S: The Sub Loco Notes in the Torah of Biblia Hebraica Stuttgartensia: Bibal Press, 1994.
  • PIQUER OTERO, Andrés; TORIJANO MORALES, Pablo (editores). The Text of the Hebrew Bible and Its Editions: Studies in Celebration of the Fifth Centennial of the Complutensian Polyglot. Supplements to the Textual History of the Bible 1. Leiden-Boston: Brill, 2017.
  • QIMRON, Elisha. The Hebrew of the Dead Sea Scrolls. Harvard Semitic Studies 29. Winona Lake, Indiana: Eisenbrauns, 2008.
  • ROBERTS, Bleddyn J. The Old Testament Text and Versions: The Hebrew Text in Transmission and the History of the Ancient Versions. Cardiff: University of Wales Press, 1951.
  • SELLIN, Ernst; FOHRER, Georg. Introdução ao Antigo Testamento. 2 volumes. Nova Coleção Bíblica 5-6. São Paulo: Edições Paulinas, 1977-1978.
  • SILVA, Cássio Murilo D. da. Metodologia de Exegese Bíblica. Coleção Bíblia e História. 2ª edição. São Paulo: Paulinas, 2003.
  • SIMINAN-YOFRE, Horário (coordenador). Metodologia do Antigo Testamento. Coleção Bíblica Loyola 28. São Paulo: Edições Loyola, 2000.
  • STUART, Douglas; FEE, Gordon D. Manual de Exegese Bíblica: Antigo e Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2008.
  • TOV, Emanuel. The Greek and Hebrew Bible: Collected Essays on the Septuagint. Supplements to Vetus Testamentum 72. Leiden-Boston-Köln: Brill, 1999.
  • ____. Crítica Textual da Bíblia Hebraica. Niterói: BV Books, 2017.
  • ____. A Bíblia Grega e Hebraica: Ensaios Reunidos sobre a Septuaginta. Niterói: BV Books, 2019.
  • WONNEBERGER, Reinhard. Understanding BHS – A Manual for the Users of Biblia Hebraica Stuttgartensia. 3. ed. Subsidia Biblica 8. Roma: Pontificium Institutum Biblicum, 2001.
  • ____. Understanding BHS: Biblical Institute Press, 1984.
  • WÜRTHWEIN, Ernst: The Text of the Old Testament: an Introduction to the Biblia Hebraica. 2nd edition. Grand Rapids: Eerdmans, 1995.
  • GINSBURG, Christian D. Introduction to the Massoretico-Critical Edition of the Hebrew Bible. London: New York: Ktav, 1966.

Ligações externas

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