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Rolieiro-europeu

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaRolieiro-europeu

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Coraciiformes
Família: Coraciidae
Género: Coracias
Espécie: C. garrulus
Nome binomial
Coracias garrulus
Linnaeus, 1758
Distribuição geográfica

O Coracias garrulus, comummente conhecido como rolieiro-europeu[2][3] ou simplesmente rolieiro,[4] é um pássaro tenuirrostro e migratório europeu da família dos coracídeos.[5]

O nome comum «rolieiro» provém do nome francês rollier[4], usado para designar a mesma espécie.[6] Este nome francês, por seu turno, provém do alemão roller.[6]

Há duas teses etimológicas, relativas à interpretação da origem do seu nome comum, que tanto pode significar «rolante» como «arrulador».[3] A primeira das quais, afecta ao significado pela via do «rolante», remete para o voo de parada nupcial, do rolieiro, no qual este rola o corpo alternadamente para a esquerda e para a direita.[3] A segunda, afecta ao significado de «arrulador», por seu turno, alude à vocalização do rolieiro, com o sentido sonoro do rufar de um tambor.[3]

Distribuição geográfica

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O Rolieiro é um migrador estival que nidifica no Paleárctico, desde o Noroeste de África e Este da Península Ibérica passando pelo Mediterrâneo até a Oeste dos Himalaias.[7]

Esta espécie encontra-se amplamente distribuída no Leste e Sul do continente europeu, ausentando-se das regiões Centro e Norte do continente.[8]

Enquanto ave migratória, o rolieiro passa o verão na Europa, da Península Ibérica à Turquia. A espécie inverna na região Afrotropical, sobretudo na África Oriental e Sudeste de África.[7]

Península Ibérica

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Na Península ibérica, o rolieiro mostra uma distribuição muito dispersa pelo território, a qual se afigura intimamente ligada ao clima mediterrâneo, privilegiando os espaços na cercania da Meseta do Norte, bem como do Centro, Sul e da faixa costeira da Andaluzia e do Algarve.[8]

O rolieiro, Prefere as áreas abertas, como plantações e pastagens com árvores dispersas. o intervalo de temperatura da sua distribuição na Península varia entre os -8.5°C e os 36.6°C, e o da precipitação entre os 264 mm e os 1842 mm anuais

Trata-se de uma espécie migradora estival, nidificante em Portugal continental. Exibe uma distribuição sensivelmente fragmentada no território nacional, marcando presença nas regiões do interior do centro e sul do país, principalmente no Baixo Alentejo e no Interior do Algarve.[8]

No entanto, a sua área de distribuição tem-se vindo a cercear significativamente nos últimos anos, de tal modo que actualmente, se trata de uma espécie rara em Portugal, inserindo-se na categoria de espécie em perigo crítico, no que toca ao seu estado de conservação.[8][9]

São-lhe conhecidos pelo menos três núcleos populacionais principais: em Castro Verde (onde se encontra a Zona de Protecção Especial),[10] a região compreendida entre Vila Fernando e Elvas e na Beira Baixa.[11] São-lhe conhecidos núcleos nidificantes com populações mais reduzidas nas zonas de Moura, Mourão, Monforte e Cuba do Alentejo.[11] Ocasionalmente, também pode ser avistada no Cabo de São Vicente, no Sudoeste Algarvio, durante a passagem migratória outonal.[11]

De Abril a Agosto, esta espécie encontra-se mais presente nas zonas de criação.[9] No final do Verão, pode avistar-se amiúde em passagem migratória, sendo então observável em zonas onde não nidifica habitualmente, designadamente nas zonas costeiras.[9]

O rolieiro ocorre nas terras baixas, privilegiando as zonas abertas ou semi-abertas (i.e. sem arvoredo ou com árvores dispersas) e soalheiras,[7] tais como prados, estepes, pastagens ou matos pouco densos, privilegiando especialmente os espaços com algumas árvores dispersas e bem desenvolvidas.[5] Habita também parques, avenidas, pomares, bosques, salgueiros, planícies com árvores dispersas e espinhosas.[12]

O rolieiro-europeu também se pode encontrar, amiúde, em zonas exploração agrícola extensiva, sujeitas ao regime de rotatividade de culturas, com especial destaque para as estepes cerealíferas.[5]

Normalmente evita desertos, semi-desertos, pastagens sem árvores, culturas intensivas e não mostra ter qualquer ligação a água, podendo, no entanto, habitar em árvores do género Populus ou outras, que se encontrem a margear as galerias ripícolas.[12] Fora da época de nidificação, os rolieiros estabelecem dormitórios comuns.[10] Durante o dia descansam em ramos salientes, postes, fios eléctricos ou telefónicos, ou quaisquer outros pontos altos e isolados que lhes possam servir de poleiro.[12][9]

Nidificação

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Esta espécie nidifica em bancos de areia, em fissuras ou reentrâncias de edifícios devolutos, em brechas em rochas e fragas, em ninhos abandonados de pica-paus, sejam eles os pretos (Drycopus martius) ou os verdes (Picus viridis).[12] Também pode fazer os seus próprios ninhos em árvores, nesse caso, o rolieiro prefere árvores do género Quercus ou pinheiros da espécie Pinus sylvestris, onde possa encontrar cavidades para nidificar.[5][7] Pode inclusive voltar a ocupar ninhos por si abandonados, de um ano para o outro.[5]

Muitas vezes, à mingua de cavidades preexistentes, o rolieiro pode criar em buracos, tanto em árvores como em barreiras e ruínas.[13]

É uma das espécies de aves mais coloridas da avifauna portuguesa, ombreando com o abelharuco e o guarda-rios. Tem a cabeça, o peito e o ventre de coloração azul-turqueza ou azul-esverdeada, contrastando com o dorso castanho-avermelhado ou castanho-alaranjado.[9][11]

Trata-se de uma ave de médio porte, cujo corpo pode medir até cerca de 30 a 32 cm de comprimento.[9][11] A cabeça é grande, destacando-se, proporcionalmente, em relação ao corpo. Conta com um bico é negro e robusto, de ponta ligeiramente recurva, voltada para baixo.[9][11]

O rolieiro tem asas que podem medir de 52 a 58 centímetros de comprimento.[9][11] Estas assumem uma coloração azul-turquesa, destacando-se a coloração azul-violeta das penas de cobertura, nos ombros, visível, sobretudo, durante o voo.[9][11] No que toca às rémiges, estavas afiguram-se de cor negra na face superior e azul-violeta na face inferior.[9][11]

Os espécimes juvenis têm uma plumagem em tons esbatidos de castanho-claro[9][11]

O rolieiro procura alimento a partir de poleiros em árvores, postes, fios, etc., em solos que proporcionem pouca cobertura às presas, portanto, sem ou com pouca vegetação ou com vegetação rasteira.[7]

Enquanto ave insectívora, alimenta-se, principalmente, de grandes insectos artrópodes, como gafanhotos, escaravelhos e escorpiões, sendo certo que também se pode alimentar de pequenos vertebrados.[9][5]

Nidificam no mês de maio, durante o verão europeu, em ocos de árvores, onde de 4 a 7 ovos totalmente brancos são postos. Após 19 dias os filhotes nascem. Ambos pais cuidam da cria. Com 28 dias, os passarinhos já estão aptos para o voo.

Estatuto de Conservação e legislação

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Sendo certo que, globalmente, esta espécie goza de um estatuto de conservação de categoria de espécie pouco preocupante, em Portugal, o rolieiro está assinalado como uma espécie criticamente em perigo[10][8][9] e em Espanha está assinalada como espécie vulnerável.[10]

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O rolieiro goza de protecção legal, em Portugal, prevista nos seguintes diplomas legais:

  • Decreto-Lei nº 140/99 de 24 de Abril,[14] que criou a Rede Natura 2000 e que resultou da transposição da Directiva Aves 79/409/CEE de 2 de Abril de 1979.
  •   DL n.º 38/2021, de 31 de Maio, que estipula o regulamento da Protecção e Conservação da Flora e da Fauna Selvagens[15]

Referências

  1. «IUCN red list Rolieiro-europeu». Lista Vermelha da IUCN. Consultado em 18 de março de 2022 
  2. S.A, Priberam Informática. «ROLIEIRO-EUROPEU». Dicionário Priberam. Consultado em 14 de junho de 2023 
  3. a b c d Paixão, Paulo (2021). Os Nomes Portugueses das Aves de Todo o Mundo (PDF). Bruxelas, Bélgica: A Folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias. p. 274. 334 páginas. ISBN 978-989-33-2134-8. ISSN 1830-7809 
  4. a b S.A, Priberam Informática. «rolieiro». Dicionário Priberam. Consultado em 14 de junho de 2023 
  5. a b c d e f «Coracias garrulus». Museu Virtual Biodiversidade. Consultado em 14 de junho de 2023 
  6. a b Larousse, Éditions. «Définitions : rollier - Dictionnaire de français Larousse». www.larousse.fr (em francês). Consultado em 14 de junho de 2023 
  7. a b c d e Samwald, O (1994). Tucker, Graham M.; Heath, Melanie F., eds. Birds in Europe: their conservation status. Col: BirdLife conservation series. Cambridge: BirdLife International. pp. 340–341. ISBN 0-946888-29-9 
  8. a b c d e Bastos Araújo, Miguel (2012). Biodiversidade e Alterações Climáticas na Península Ibérica - Biodiversidad y Alteraciones Climáticas en la Península Ibérica. Lisboa: Ministério do ambiente e ordenamento do território. p. 217. 656 páginas 
  9. a b c d e f g h i j k l m «Rolieiro (Coracias garrulus)». www.avesdeportugal.info. Consultado em 14 de junho de 2023 
  10. a b c d «Coracias garrulus Rolieiro». ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. Consultado em 15 de junho de 2023 
  11. a b c d e f g h i j «Coracias garrulus». Museu Virtual Biodiversidade. Consultado em 14 de junho de 2023 
  12. a b c d Cramp, S. (1985). Handbook of the birds of Europe the Middle East and North Africa. 4: Terns to woodpeckers Oxford University Press ed. Oxford: Oxford Univ. Press. ISBN 978-0-19-857507-8 
  13. Rufino, Rui (1989). Atlas das aves que nidificam em Portugal continental. Lisboa: Ministerio do Plano e da Administracao do Territorio. 215 páginas. ISBN 978-972-37-1374-9 
  14. «REDE NATURA 2000 ::: DL n.º 140/99, de 24 de Abril». www.pgdlisboa.pt. Consultado em 15 de junho de 2023 
  15. «::: DL n.º 38/2021, de 31 de Maio». www.pgdlisboa.pt. Consultado em 15 de junho de 2023 


Ligações externas

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